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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Mais respeito, por favor! Sou muito mais que tomate e carne. O verdadeiro bolonhesa




Bolonhesa tradicional
Você pode até achar que não. Mas sempre existe um motivo para as coisas serem como são. Defendo aqui que podemos criar nossas próprias "pitadas", mas precisamos, em certos momentos, respeitar, prestigiar e reconhecer a tradição de modo a evitar a banalidade. O tradicional bolonhesa é um desses casos. Ele é, sem dúvida alguma, a criação mais usurpada e distorcida da culinária italiana. Aqui, prestaremos uma homenagem ao original.

Estamos acostumados a chamar de molho a bolonhesa a simples mistura de extrato de tomate com carne moída. Ledo engano. O bolonhesa envolve muito mais que isso. Bacon, manteiga, cenoura, cebola, aipo ou alho poró, ervas, alho, vinho branco e leite. E tudo em uma ordem certa. Ufa!! E não é só. Outro sacrilégio é a massa. Aqui, a tradicionalmente usada é o espaguete. Por lá, nada disso. Massa larga. Como o tagliatelle ou o fettuccine. Ou você consegue imaginar os "nacos" de carne, bacon e tomate se prendendo no fino espaguete?


Bolonhesa tradicional
Pois bem. Aqui cabe a explicação do motivo de cada um dos ingredientes do tradicional bolonhesa. Primeiro, a cenoura. Caso você não saiba, o tomate italiano é extremamente ácido. Aqui, costumamos usar açúcar para neutralizar a acidez de molhos e refogados. Por lá, nada disso, cenoura e salsão. Ingredientes que quando aquecidos liberam grandes doses de açúcar.

o vinho tem um papel importantíssimo. Você já ouviu falar de deglaçar? Se não, está na hora. Deglaçar é uma técnica culinária que consiste em utilizar um líquido para liberar todo ingrediente que tenha se prendido ao fundo da panela durante o preparo de determinado prato. E com você sabe bem, os pedaços presos ao fundo da panela são sempre os mais saborosos. Então, a ideia do vinho na receita é não perder nada do estupendo sabor do molho. E quando falamos de deglaçar, ninguém cumpre melhor esse papel que uma taça de vinho branco. 

Por último mas não menos importante, o leite integral, que ajuda a dar maior consistência ao molho, a aumentar o seu já não tão baixo teor de gordura e a reduzir um pouco a aparência de refeição "vampiresca" do tradicional molho de tomate que vemos por aí.

Feitos os devidos esclarecimentos, é hora de arregaçar as mangas e por a mão na massa (literalmente).

Bolonhesa tradicional
Ingredientes para 4 pessoas

  • Azeite
  • 1 colher de manteiga sem sal
  • 3 dentes de alho
  • Meia cebola picada
  • 1 talo de salsão ou de alho poró picado
  • 1 cenoura pequena picada
  • Sal e pimenta do reino a gosto
  • 100 gramas da carne do bacon (despreze a gordura)
  • 1 taça de vinho branco seco
  • 4 tomates italianos picados sem semente
  • Meia lata ou vidro de passata de tomate italiano
  • Meia xícara de leite integral
  • Ervas frescas ou desidratadas picadas a gosto (aqui, usei a pitada do italiano do pitata natural)
  • 300 gramas de carne moída com baixo teor de gordura
  • 500 gramas de tagliatelle ou fettuccine
Modo de preparo

  • Antes de começar, é preciso registrar que todos os ingredientes devem estar em temperatura ambiente antes do início de seu preparo
  • Ferva os tomates por cerca de 1 minuto para que soltem a pele
  • Retire as sementes e pique em pedaços grandes
  • Reserve
  • Em uma panela, adicione o azeite e refogue as cebolas picadas
  • Adicione a cenoura picada, o talo de alho poró ou salsão picado e refogue
  • Aumente o fogo ao máximo e acrescente a carne moída e o bacon. Isso evita que a carne solte líquido
  • Quando a carne dourar, adicione o vinho branco para deglaçar
  • Acrescente o tomate picado já sem a pele, a passata de tomate italiano e os temperos frescos ou desidratados
  • Reduza o fogo e deixe cozinhar até que quase todo líquido tenha evaporado
  • Agora, acrescente o sal, a pimenta, o leite e a manteiga
  • Cozinhe por cerca de 10 minutos em fogo baixo com a panela tampada para que o molho não perca mais líquido
  • Desligue o foto e reserve
  • Cozinhe a massa conforme as orientações
  • Sirva com o molho sobre a massa

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O pensador e o boteco - Parte I - Comida de boteco "fora" do boteco




Goethe já dizia que a beleza ideal está na simplicidade calma e serena. E foi graças a ele que descobri que o melhor boteco de Brasília fica em minha casa. Amo a simplicidade e a beleza da comida de boteco. Amo a descontração do ambiente e a influência que ele exerce sobre o comportamento das pessoas. Mas com a idade adquiri certa aversão a multidões e barulho, o que me fez abandonar, por certo tempo, o prazer que a comida de boteco me proporcionava.

Certa tarde, em que desejo superou razão, decidi que ali terminaria minha separação precoce da comida de boteco. Precisava, desesperadamente, de doses distintas de sabor e gordura em meu organismo. Precisava de um boteco!!

Telefone na mão, ligo para esposa e pegunto se ela topa retomar a vida de boteco. A resposta não poderia ser mais frustrante para meu cérebro (pra quem não sabe, só estamos onde estamos na cadeia evolutiva pois existe forte correlação entre o consumo de certos tipos de gordura e o desenvolvimento do cérebro). "Hoje não dá!! Não temos com quem deixar os meninos."

Precisava de uma alternativa. E a alternativa mais lógica seria??? Levar o boteco para casa (erraram os que apostaram que seria levar os meninos para o boteco!!!).

Decisão tomada, precisava do cardápio. Primeiro, as já tradicionais mini bruschettas de tomate italiano (os tomates estavam sobrando em casa e nossa muda de manjericão precisava ser "debastada"). Segundo, precisava da gordura do ômega 3 para manter meu cérebro funcionando e evoluindo. Hummmmm!!! Bemmmmm!!!!!! Ômega 3 e boteco??? Hummmmm!! Anéis de lula, camarão e bolinhos de bacalhau. Pra terminar com chave de ouro, precisava de algo pesado, típico dos botecos mais pé sujos. Algo que despertasse meu instinto ogro. Precisava de carne!!! De uma isca de filé para ser mais exato. Com molho. Que molho? De queijo! Que queijo? De gorgonzola!!!

Cardápio fechado, só faltava buscar os meninos na escola, ir às comprar e por a mão na massa. O resultado de uma noite de boteco com a família em casa você confere abaixo.  

Mais belo, simples, calmo, sereno e calórico que isso, impossível!! Goethe ficaria orgulhoso e empanzinado. Perfeito para horas de ócio produtivo dignas de um pensador.

Ingredientes e modo de preparo ficam para os próximos posts. Passaremos as comidinhas de boteco uma a uma com toda pompa, atenção e reflexão que merecem.

Mini bruschettas de tomate italiano
Mini bruschettas de tomate italiano 
Anéis de lula empanados com panko acompanhados de molho tártaro 
Bolinho de bacalhau preparado no forno 
Camarões empanados acompanhados de molho tártaro
Bolinhos de bacalhau preparados no forno
Camarões empanados acompanhados de molho tártaro e bolinhos de bacalhau preparados no forno
Camarões empanados acompanhados de molho tártaro 
Isca de filé com gorgonzola
Isca de filé com gorgonzola
Isca de filé com gorgonzola


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Sobrou??? Yakisoba neles!!!




Cedo ou tarde chegará o dia em que você terá em sua geladeira e em sua dispensa quantidades reduzidas de uma grande variedade de ingredientes que sozinhos não lhe permitirão fazer nada minimamente digno que possa ser considerado uma refeição. Para essas ocasiões de emergência eu tenho duas dicas. A primeira, misture. A segunda, use um Wok.

O Wok existe justamente para evitar que qualquer coisa não estragada em sua cozinha seja deserdiçada. E foi justamente essa situação que nos levou ao Yakisoba. Um cordão de filé, uma resto de fettuccine, uma cenoura, uns ramos de brócolis, uma cebola e muito, mas muito broto de feijão (um dos poucos alimentos na natureza que, na geladeira, dá cria e nunca acaba!!! Sério, você nunca conseguirá consumir um pacote inteiro de broto de feijão).

Voltando ao Yakisoba, não é possível dizer que exista uma só receita. A mistura fica por sua conta. E essa é a graça do prato. Há quem use acelga. Há quel use broto de bambu. Há quem use champignon. Há quem use repolho. Há quem use açucar. Aqui, como diria nosso amigo Celso Freitas "Você decide. Você escolhe o final" ;-)

Pois vamos aos ingredientes e ao modo de preparo.

Yakisoba

Ingredientes:
  • Um pacote e macarrão tipo lámen (500g) ou fettuccine ou qualquer outro que esteja sobrando aí na sua coziha!! (usei meio pacote de fettuccine)
  • Azeite ou óleo de soja
  • Carne picada ou cortada em tiras (seja de boi, de vaca, de cabra, de frango, de porco - usei um cordão de filé)
  • Alho picado a gosto
  • Um brócolis pequeno cortado em buquês
  • Uma cebola cortada em cubos grandes ou picada (usei a cebola picada)
  • Uma cenoura ralada ou cortada em tiras
  • Outros ingredientes de sua preferência que estejam em sua geladeira ou dispensa
  • Um punhado de broto de bambu ou broto de feijão
  • Molho de soja (dê preferência a light se você preza sua saúde)
  • Meia colher de sopa de açúcar
  • 1/2 xícara de água

Modo de prepado:
  • Cozinhe o macarrão e reserve
  • Cozinhe o brócolis no vapor e reserve
  • Na panela Wok, aqueça o azeite ou o oléo, frite a carne e reserve
  • Refogue a cebola e o alho
  • Quando estiverem dourados, acrescente a cenoura e os demais ingredientes, incluindo o brócolis cozido no vapor, e refogue
  • Acrescente a carne e a massa e refogue mais uma vez
  • Acrescente o molho de soja, a colher de açucar e a água
  • Misture
  • Deixe o caldo secar um pouco e está pronto.

Yakisoba






segunda-feira, 6 de abril de 2015

Rosbife ao curry em crosta de sal grosso




Rosbife ao curry em crosta de sal grosso

Que o sal grosso possui mil e uma utilidades todos sabem e ninguém duvida. Mas pra mim, a principal delas continua sendo a culinária. 

Quando estivemos na Costa Amalfitana, experimentamos um peixe assado em crosta de sal grosso. A impressão inicial era de que o peixe ficaria intragável pelo excesso do tempero. A impressão inicial logo ficou para trás quando o "Chef" nos explicou o processo de cozimento do peixe no sal e nos mostrou a beleza que se escondia sob a generosa camada de sal grosso que circundava nosso prato. Para nossa surpresa, a carne não apresentava qualquer excesso de sal e se mostrava extremamente tenra e suculenta como poucas vezes tivemos a oportunidade de degustar. O sal, como explicou o "Chefe", havia conservado toda umidade do peixe que normalmente seria perdida nos tradicionais processos de cozimento ao forno.

Passados alguns anos, finalmente tive a coragem de experimentar a cozinha em crosta de sal. Só que a escolha não foi pelo peixe. Optamos pela carne vermelha. E para não fugir da tradição, escolhemos um filé que daria origem a um belo rosbife em crosta de sal grosso.

Para fugir do trivial da carne temperada com sal grosso, buscamos um tempero que fosse marcante e pudesse se sobressair ao sal. A difícil missão foi cumprida com maestria por uma generosa porção de curry - cujo tipo fica a sua escolha.

O curry, pros não iniciados, é uma especiaria típica da culinária de países como Índia, Tailândia e Moçambique. Sua base é composta de açafrão da terra, coentro, gengibre, cominho, nós moscada, pimenta, alecrim e canela. Dependendo de sua origem, pode ser composto por mais de 70 especiarias diferentes. Resumindo, uma explosão de sabores e aromas!!!

Escolhido o prato principal, faltava o acompanhamento. Optamos por um leve e já tradicional risoto de limão siciliano (clique no link para a receita).

O resultado você confere nas fotos abaixo.

Rosbife ao curry em crosta de sal grosso - Recém saído do forno e após ter tido sua "casca"quebrada
Rosbife ao curry em crosta de sal grosso acompanhado de risoto de limão siciliano

Ingredientes

  • 800 gramas de filé mignon
  • 1 kg de sal grosso
  • 1 colher de sobremesa de curry


Modo de preparo

  • Pré-aqueça o forno a uma temperatura de 225 graus;
  • Em um recipiente, mistura o quilo de sal grosso com a colher de sobremesa de curry;
  • Cubra o fundo de uma travessa (de preferência de tamanho similar ao corte do filé) com metade da mistura;
  • Ponha a peça inteira do filé sobre a cama de sal grosso com curry, pressionando para que o sal grude na carne;
  • Despeje o restante da mistura sobre a carne de modo a que todo o filé fique envolto na crosta de sal com curry;
  • Leve ao forno sem cobrir por cerca de 25 minutos.


Dicas do chefe

  • A carne estará no ponto quando o sal começar a adquirir a tonalidade marrom proveniente do sugo da carne.
  • Não deixe a camada de sal se romper no forno pois a carne ficará ressecada.
  • Cheque a carne a cada 5 minutos para evitar que o problema ocorra.
  • Quando você quebrar a crosta de sal, terá a impressão de que a carne está crua pelo excesso de líquido. Engano seu, estará no ponto da foto. Tenra. O excesso do líquido escorrerá durante o corte da carne.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Linguine ao molho de limão siciliano e filés ao molho de gorgonzola




É nisso que dá o encontro, em uma noite de sexta, de duas pessoas desejando comer coisas completamente diferentes. Eu, uma massa com um molho diferente dos tradicionais. Ela, um filé regado com queijo de paladar forte e marcante. Como nenhum de nós abriu mão de sua vontade, o jeito foi apelar para uma massa com molho de limão siciliano (que está virado figurinha carimbada por aqui) e um filé com molho de gorgonzola. 

O problema? Ambos brigam a todo tempo para obter de você uma resposta sobre quem é o ingrediente principal e quem é o acompanhamento na mesa.

O resultado? Um empate difícil de ser resolvido por apenas duas pessoas. Terminado o jantar, eu já tinha certeza de que o filé era indispensável naquela noite. Ela, que a massa foi uma das melhores e mais surpreendentes que já fizemos. 

Minha dica? Faça os dois em ocasiões diferentes!! Ambos merecem toda atenção de seus apreciadores.

Linguini ao molho de limão siciliano e filé com molho de gorgonzola
Linguini ao molho de limão siciliano e filé com molho de gorgonzola
Linguine ao molho de limão siciliano e filé com molho de gorgonzola
Ingredientes do linguini ao limone com croutons de parma (serve 6 porções) - Receita retirada do site dedodemoca.net
  • 3 limões do tipo siciliano
  • 1 e 1/2 xícara de vinho branco seco
  • 1 xícara de creme de leite fresco
  • 3 colheres de sopa de manteiga sem sal
  • 1 pacote de linguine ou espaguetini
  • 120g de queijo parmesão ralado
  • Azeite de oliva extra virgem a gosto
  • Pimenta do reino em moída e sal a gosto
  • 200g de presunto cru fatiado
Modo de preparo
  • Retire as raspas dos limões.
  • Retire seu suco e coe.
  • Reserve.
  • Coloque as raspas em uma panela com o vinho e ferva até sobrar um pouco menos de 1/2 xícara de líquido.
  • Retire do fogo e adicione 1/4 da xícara de chá do creme de leite. 
  • Misture bem até todos os ingredientes ficarem bem incorporados
  • Adicione o restante do creme de leite. 
  • Volte ao fogo bem baixo e cozinhe por uns 10 minutos para reduzir e engrossar. 
  • Retire do fogo e reserve.
  • Cozinhe o macarrão com sal a gosto.
  • Quando estiver pronto, reserve 1 xícara da água de cozimento e descarte o restante da água.
  • Utilizando uma frigideira grande, coloque a massa cozida, o molho de creme de leite, raspas de limão e vinho, a manteiga e o suco de limão.
  • Misture bem o molho com a massa e adicione ½ xícara da água de cozimento do macarrão. Se o molho ficar muito grosso, adicione a outra ½ xícara da água. Por fim, coloque o queijo aos poucos, mexendo bem. Tempere com sal e pimenta do reino.
  • Para os crocantes de presunto cru: coloque sobre a assadeira uma folha de papel manteiga. Espalhe as fatias de presunto cru sobre o papel manteiga e leve ao forno pré aquecido a 160°C. Asse até que o presunto “seque” e fique crocante. Deixe esfriar e quebre as fatias de presunto crocante em pedacinhos menores. Reserve.
  • Na hora de servir transfira o linguini com o molho para uma travessa e salpique o presunto cru crocante sobre toda a massa. 
  • Sirva imediatamente.
Ingredientes do molho de gorgonzola (não vou postar o preparo do filé pois já foi postado em outras receitas do blog)
  • 1/2 xícara de vinho branco seco 
  • 1 xícara de creme de leite fresco 
  • 1/2 xícara de queijo gorgonzola esfarelado 
Modo de preparo
  • Utilizando a mesma frigideira que grelhou o filé, adicione o vinho branco, o queijo e o creme de leite. 
  • Leve ao fogo até que o queijo derreta e o molho fique um pouco mais espesso.
  • O creme de leite pode ser substituído, em menor quantidade, por leite integral.
  • Se for preciso, adicione um pouco de maisena com o apoio de uma peneira (sem a peneira a maisena empelota).
  • Regue o molho sobre o medalhão e sirva imediatamente.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Filé com "chapéu" de pecorino acompanhado por conchigliones recheados com mussarela de búfala e tomate italiano




Você não precisa esperar o dia 25 de outubro chegar para comer uma boa massa. Pra quem não sabe, há um dia mundial dedicado a uma de nossas melhores e mais amadas amigas. 

Seja sozinha ou bem acompanhada, a massa é dos pratos mais presentes em nosso dia-a-dia. Talvez por isso tenhamos dificuldade de enxergá-la como um ingrediente gourmet na cozinha. O fato é que sua simplicidade é justamente o que permite as criações e combinações mais mirabolantes. Cozinhar um prato com massa é como desenhar em uma folha ainda em branco. Simplesmente dê asas a sua imaginação!! 

E você sabe muito bem que um dos melhores parceiros da massa é o tomate. Outro, o queijo. E não muito atrás está a carne. E é justamente essa parceria de sucesso, com pequenos intrusos, que vamos por a prova com essa receita.

Não espere beleza. Massa para mim está relacionada à culinária "ogra". Aqui a beleza do prato não é fundamental. O importante é o sabor e o aroma.

Preciso dizer que haverá uma pequena traição por aqui. Acostumado a andar sempre na companhia da massa, o queijo, dessa vez, terá uma caso de amor com o filé.

Posso adiantar que o resultado é sensacional. A mistura do pecorino romano com a farinha do pão, após serem gratinados no forno, proporciona delírios em qualquer papila gustativa. Pra mim, o ponto alto do prato.

Mas não se engane se você acha que o conchiglione faz feio por aqui. Muito pelo contrário. Ele está a todo tempo lembrando você o motivo de a massa italiana ser um dos pratos mais degustados do planeta.



Não custa nada lembrar.
Organização é o segredo para o sucesso de qualquer prato
Manteiga, alho e ovos.
São eles os responsáveis pela "liga" entre pão e pecorino
Filé com chapéu de pecorino. Mais ogro impossível!!!
Conchigliones recheados com mussarela de búfala e tomate italiano.
Mesmo sozinha, a massa não faz feio 

Filé mignon com chapéu de pecorino (para duas pessoas)

Ingredientes 


  • 4 medalhão de filé mignon
  • Sal e pimenta a gosto
Para a cobertura
  • 2 colheres de sopa de farinha de pão/ de rosca
  • 4 colheres de sopa de pecorino finamente ralado
  • 2 colheres de manteiga derretida
  • 1 dente de alho bem picado
  • 2 gemas cruas
  • Sal e Pimenta a gosto
Modo de preparo
  • Pré-aqueça o forno em temperatura máxima por cerca de 20 minutos
  • Doure em uma frigideira untada com azeite de oliva o medalhão de filé (apenas três minutos, em fogo alto, cada lado)
  • Reserve
  • Misture os ingredientes secos da cobertura
  • Adicione a manteiga e mexa até que ela tenha se integrado aos demais ingredientes
  • Adicione a gema e repita o procedimento anterior
  • Coloque a cobertura sobre o filé
  • Leve ao forno quente para o chapéu de pecorino gratinar

Conchigliones recheados com mussarela de búfala e tomate italiano (para duas pessoas)

Ingredientes 

  • 20 a 24 conchigliones
  • 3 a 4 tomates italianos para o recheio
  • 1 tomate italiano para o molho
  • Mussarela de búfala
  • Molho de tomate (você pode fazer o seu em casa com tomates italianos. Eu compro o basílico da Barilla e dou uma incrementada)
  • Folhas de manjericão
  • Pecorino ralado grosso
  • Azeite
  • Sal
  • Alho
  • 1/2 cebola
Modo de preparo
  • Corte os tomates em cubos pequenos. Lembre-se re retirar as sementes
  • Corte a mussarela de búfala em tiras pequenas (que caibam dentro dos cochigliones)
  • Em uma vasilha, acrescente  tomate cortado e a mussarela de búfala
  • Acrescente algumas folhas de manjericão
  • Acrescente uma pitada de sal
  • Regue com azeite e misture
  • Reserve
  • Cozinhe o conchiglione conforme orientação da embalagem
  • Ao terminar, resfrie a massa em água corrente
  • Escoe o excesso de água e acrescente um pouco de azeite para a massa não grudar.
  • Em uma travessa que possa ir ao forno, regue seu fundo com azeite
  • Recheie um a um os conchigliones com a mistura de tomate, mussarela de búfala, manjericão e azeite
  • Reserve
  • Pique o alho e a cebola
  • Corte um tomate italiano em cubos
  • Refoque a cebola e o alho no azeite
  • Quando estiverem dourando, acrescente o tomate e refoque
  • Quando formar um caldo, acrescente o pote do molho de tomate e deixe ferver por alguns minutos. O molho precisa ficar bem grosso
  • Reserve
  • Leve os conchigliones ao forno médio até que a mussarela de búfala comece a derreter
  • Retire do forno e adicione o molho de tomate
  • Ao final, adicione folhas de manjericão

terça-feira, 11 de março de 2014

Picanha maturada grelhada com legumes salteados na manteiga e arroz com brócolis




Ah, carne!!! Poucas coisas são mais primitivas e selvagens que devorar um suculento pedaço de carne. Os amigos vegetarianos irão me perdoar mas ainda sou um carnívoro inveterado. Tenho certeza que em breve meu espírito evoluirá e abandonarei esse vício. Até lá, aproveitarei todas as oportunidades.

E dessa vez a oportunidade foi proporcionada por uma deliciosa peça de picanha maturada. Para desgosto do Rei, a carne não era Friboi. Ao contrário do que reza a propaganda, é dos piores cortes de carne que podemos utilizar para o preparo de um bom prato. Portanto, fuja da Friboi como o diabo foge da cruz!!!

A ideia original era preparar um prato utilizando filé mignon. Infelizmente, o mercado em que fui fazer compras só vendia filé Friboi. A vontade de devorar um bom pedaço de carne persistia. Minha busca por alternativas terminou quanto encontrei uma bela peça de picanha maturada.

Vale uma interrupção para explicar o que é a carne maturada e por qual motivo é mais indicada que a carne normal para ser grelhada rapidamente. A explicação vem do blog do Rossi. Aí vai...

"Maturação é o nome da técnica de amaciamento da carte, após o abatimento do animal, por meio da refrigeração entre 0 e -1º, por um período de 15 dias. Busca-se com esse processo a melhoria da textura e do sabor da carne. O ideal do uso desse processo é com carnes consumidas como bifes, com preparação rápida que necessitam de pouco tempo de cozimento."

Voltando ao que interessa, precisávamos de acompanhamentos que não roubassem a cena majestosamente interpretada pela picanha. Optamos por legumes e arroz. Legumes?? Arroz?? Não rola nem uma farofinha??

Calma, calma. Pra sua alegria os legumes foram salteados na manteiga usada para grelhar a picanha e o arroz era o tradicional de brócolis. Coadjuvantes perfeitos e dignos de Oscar para nossa picanha. 

Como tenho uma tara incurável pela decoração do prato, optei por servir o arroz em um recipiente separado. Isso dá a quem for degustar a refeição a liberdade de comê-lo ou não. Já os legumes (feitos na gordura da carne grelhada) compuseram a cena com a picanha para dar cor e vida ao prato.

Espetáculo em todos os sentidos.



Picanha maturada com legumes salteados na manteiga
Picanha maturada com legumes salteados na manteiga
Picanha maturada com legumes salteados na manteiga
Picanha maturada com legumes salteados na manteiga
Ingredientes
  • 4 bifes de picanha com três centímetros de espessura cara
  • 3 dente de alho descascado e picado
  • Sal e pimenta a gosto (ralados na hora)
  • 3 colheres de manteiga sem sal
  • 1 xícara de arroz
  • 1 maço de brócolis americano
  • azeite de oliva extra virgem
  • 1 pimentão vermelho cortado em tiras
  • 1 pimentão verde cortado em tiras
  • 1 pimentão amarelo cortado em tiras
  • 2 tomates italianos (que não é legume mas compõe bem a cena)
  • 1 pimenta dedo de moça ou de cheiro picada

Modo de preparo - carne e legumes
  • Tempere os bifes de picanha com um dente de alho, sal e pimenta a gosto
  • Derreta, em fogo alto, uma colher de manteiga em uma frigideira antiaderente
  • Após a manteira derreter e começar a dourar, acrescente os bifes de picanha na frigideira deixando-os dourar por exatos três minutos de cada lado
  • Retire os bifes e reserve
  • Acrescente na frigideira os legumes e o tomate cortados em tira
  • Deixe dourar por certa de 5 minutos
  • Reserve

Modo de preparo - arroz com brócolis
  • Cozinhe no vapor, por cerca de 10 minutos, o maço de brócolis cortado em pedaços grandes
  • Pique em pedaços mínimos o brócolis já cozido (você aproveita todo ele)
  • Derreta em uma frigideira antiaderente o restante da manteiga
  • Doure o restante do alho e da pimenta picados
  • Acrescente o brócolis cortado
  • Refogue por cerca de 10 minutos
  • Acrescente o arroz já cozido, o azeite (a gosto) e misture